Saí da sessão do último filme dos X-Files com uma sensação ambígua. Por um lado, Mulder e Scully são deuses eternamente perfeitos. Por outro, não posso deixar de pensar que falta qualquer coisa.
A acção decorre uns anos depois do final da série, em que vemos os dois protagonistas num quarto de hotel a pontuarem o encerramento com alguma esperança no futuro. Agora, Mulder encontra-se isolado (supostamente escondido do FBI), no meio de nenhures, e diverte-se a pendurar recortes de notícias bizarras nas paredes do escritório. É Scully, actualmente pediatra num hospital católico, que vai quebrar aquela clausura a pedido de dois agentes federais, desesperados por encontrarem uma colega desaparecida.
Esta investigação conta com a colaboração de um ex-padre pedófilo, dotado de poderes psíquicos, que recebe visões da agente raptada e que, pelo caminho, vai redimindo os seus pecados. Como o caminho envolve corpos desmembrados, Scully acobarda-se e dedica-se apenas a coisas mais cor-de-rosa: curar uma criança com uma doença incurável através do Google, não sem antes censurar largamente o sacerdote e questionar-se acerca do sentido da vida.
Entretanto, para além de se descobrir o que aconteceu à irmã raptada por extraterrestres e ao filho de ambos, ficamos a saber que Mulder e Scully têm uma relação daquelas modernas e que estão mais ou menos juntos, o que dá alguma tensão dramática ao filme, especialmente quando eles se chateiam e decidem que cada um deve ir à sua vida. Claro que não se vão separar e o filme acaba com os dois agarrados um ao outro a sussurrarem coisas bonitas.
A favor tem o facto de ser mais um «Ficheiro Secreto», de relembrar uma das melhores séries alguma vez feitas e de ter a participação do Leoben. Por outro lado, não deixa de ser um thriller mediano que sobrevive apenas por se encostar a personagens lendárias.



